Fiquei fora do Brasil por uma semana. Na volta, no aeroporto para passar pela polícia federal é preciso formar duas filas como em todos os lugares do mundo. Em uma delas ficam os cidadãos estrangeiros, que irão mostrar o seu passaporte para entrarem no país. Na outra fila no nosso caso os brasileiros que voltam mostrarão o seu documento de identidade. Tem uma placa bem grande que diz “cidadãos estrangeiros” e no lugar de colocarem outra placa com “cidadãos brasileiros”, não o fazem. A administração do aeroporto emprega duas meninas com aparentemente a função exclusiva de gritar -- “brasileiro aqui” nos informando onde devemos entrar na fila (sim, eu vi que elas também entregam um formulário para quem não o preencheu no avião).
Meninas que gritam costumam receber salários miseráveis, melhor seria estarem na escola. Gritar é um velho hábito do senhor com seus escravos, maltratados por quem era seu dono e desdenhava a sua propriedade. Como brasileiros e adultos não devemos de ser tratados aos gritos, ainda que em nome de uma falsa gentileza e traço cultural. Traço esse de péssima memória, afinal primeiro se gritava e em seguida se colocava o escravo no tronco. Gritar é desrespeitoso em qualquer situação e pior ainda quando uma instituição, representada por seus funcionários, o faz.
Imagem de um brinquedo infantil. Foto:Reprodução

Escrito por Márcia Zoladz às 15h58
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